Glossário do jogo do bicho
45 termos do jogo do bicho explicados em português claro — do "deu no poste" ao passe vai-e-vem, do seco ao cercado.
Quem chega ao jogo do bicho pela primeira vez esbarra num vocabulário inteiro antes de entender a primeira regra. Um número não é só um número: é milhar, centena, dezena ou grupo, dependendo de quantos dígitos você olha. Uma aposta não é só uma aposta: é seca, cercada, do primeiro ao quinto. E o resultado nunca "sai" — ele dá no poste.
Esta página junta os termos que aparecem em conversa, em comprovante e em busca, cada um explicado pelo uso real. Onde a definição popular contradiz a matemática do sorteio, os dois lados estão registrados: a expressão continua sendo usada, mas você fica sabendo o que ela de fato descreve.
Seção 1
O resultado
9 termos
- Deu no poste
- A expressão que virou sinônimo de "saiu o resultado". Vem do tempo em que o número premiado era escrito à mão e pregado num poste, num muro ou na porta do ponto, para quem passasse conferir. Hoje o poste é a tela do celular, mas o nome ficou.
- Extração
- Cada sorteio de uma banca, identificado pelo horário: a das 11h, a das 14h, a das 19h. Uma banca costuma ter de quatro a seis extrações por dia, e cada uma publica o seu próprio conjunto de prêmios.
- Prêmio
- Cada uma das posições sorteadas dentro de uma extração, do 1º ao 7º. Cada prêmio é um número de quatro dígitos. O 1º prêmio é o mais disputado porque muitas modalidades só valem nele.
- Cabeça
- O 1º prêmio. Jogar "na cabeça" é apostar que o número vai sair exatamente nessa posição — paga mais justamente porque é uma posição só, contra as sete do board inteiro.
- Banca
- A organização que opera as extrações de uma região e publica os resultados. PT-RIO, São Paulo, Bahia, LOTEP e as demais são bancas diferentes, com horários e boards próprios. Nenhuma delas é órgão oficial.
- Ponto
- O local físico onde a aposta é registrada — historicamente uma banquinha de rua, uma mesa dentro de um comércio ou um ponto de apoio no bairro.
- Bicheiro
- Quem opera o jogo, do apontador que anota a aposta no ponto até quem comanda a banca. O termo é popular e não tem status legal nenhum.
- Apontador
- Quem anota as apostas no ponto e entrega o comprovante. É a figura da ponta, a que o apostador realmente encontra.
- Pule
- O papel — hoje muitas vezes um comprovante digital — em que a aposta fica registrada: número, modalidade, valor e extração. Sem ela não há como comprovar nada.
Seção 2
Os números
15 termos
- Milhar
- O número de quatro dígitos publicado em cada prêmio, de 0000 a 9999. É a unidade de onde tudo o mais é derivado: centena, dezena e grupo saem dela.
- Centena
- Os três últimos dígitos da milhar. Se o prêmio foi 5473, a centena é 473. São mil combinações possíveis, de 000 a 999.
- Dezena
- Os dois últimos dígitos da milhar. No prêmio 5473, a dezena é 73. São cem combinações, de 00 a 99 — e é a dezena que define o grupo.
- Grupo
- Um dos 25 blocos em que as cem dezenas se dividem, quatro dezenas em cada. Cada grupo tem um bicho: o grupo 1 é o avestruz (01, 02, 03, 04), o 25 é a vaca (97, 98, 99, 00).
- Unidade
- O último dígito da milhar, sozinho. Aparece pouco como aposta e muito em conversa, quando alguém comenta que "só bateu a unidade".
- Milhar invertida
- Jogar todas as ordens possíveis dos mesmos quatro dígitos. Com 1234 invertida, valem 1243, 1324, 4321 e as demais. Cobre mais combinações, custa proporcionalmente mais e paga menos por combinação.
- Centena invertida
- O mesmo raciocínio com três dígitos: 473 invertida cobre 437, 347, 374, 734 e 743.
- Duque de dezena
- Aposta em duas dezenas ao mesmo tempo, que precisam sair juntas dentro da faixa de prêmios escolhida.
- Terno de dezena
- Três dezenas que precisam sair juntas. Mais difícil que o duque, e pago proporcionalmente mais alto por isso.
- Duque de grupo
- Dois grupos que precisam aparecer na mesma extração, dentro da faixa contratada.
- Terno de grupo
- Três grupos na mesma extração. É a aposta de grupo mais difícil das que se joga com frequência.
- Quadra de grupo
- Quatro grupos na mesma extração. Só existe em algumas bancas e é rara justamente pela dificuldade.
- Passe
- Dois grupos em posições determinadas: o primeiro precisa sair na cabeça e o segundo em outra posição combinada. É o que diferencia o passe do duque, onde a ordem não importa.
- Passe seco
- A versão exigente do passe: os dois grupos precisam sair exatamente nas posições contratadas, sem outra combinação valendo.
- Passe vai-e-vem
- O passe com as duas ordens valendo — se o par sair invertido, a aposta continua de pé. Paga menos que o passe seco pelo mesmo motivo de sempre: cobre mais.
Seção 3
Como se aposta
9 termos
- Seco
- Apostar numa única posição, quase sempre a cabeça. "Milhar seca" quer dizer que só vale se aquela milhar sair no 1º prêmio.
- Cercado
- Ampliar a aposta para cobrir mais combinações em volta do número escolhido — mais dezenas, mais posições, mais ordens. Custa mais e reduz o retorno por combinação.
- Do primeiro ao quinto
- A faixa mais comum de aposta: vale se o número sair em qualquer um dos cinco primeiros prêmios. O pagamento é menor que o seco porque as chances são cinco vezes maiores.
- Do primeiro ao sétimo
- A faixa mais larga, cobrindo o board inteiro. É a que mais cobre e a que menos paga por unidade apostada.
- Fração
- Dividir o valor da aposta entre várias combinações. Quem "fraciona" prefere muitos números pequenos a um número só com valor cheio.
- Bolão
- Aposta feita em grupo, com o valor rateado entre os participantes e o eventual prêmio dividido na mesma proporção.
- Palpite
- O número que alguém escolhe jogar, venha de um sonho, de uma data, de uma estatística ou de nada. Palpite é escolha, nunca previsão — o sorteio não tem memória.
- Cotação
- O multiplicador que a banca paga por modalidade. Varia de banca para banca e pode mudar sem aviso, já que não existe tabela oficial.
- Retorno
- O que a aposta devolve quando é premiada, igual ao valor apostado multiplicado pela cotação. Como toda cotação é menor que a chance real inverteria, o retorno médio é sempre negativo para quem aposta.
Seção 4
Bichos e tradição
7 termos
- Tabela dos bichos
- A relação fixa entre as cem dezenas e os 25 animais. É a mesma em todo o Brasil e não muda: é o único pedaço do jogo que é realmente padronizado.
- Livro dos sonhos
- A tradição oral que associa o que se sonhou a um grupo. Não existe versão oficial e as listas divergem entre si; é folclore, não regra.
- Bicho do dia
- O grupo que apareceu na cabeça da primeira extração do dia, em algumas regiões. Em outras é só o bicho mais comentado naquele dia.
- Milhar viciada
- Apelido dado a uma milhar que repetiu bastante num período. Descreve o passado e nada mais: sorteios independentes não se corrigem nem se repetem por tendência.
- Número atrasado
- Grupo ou dezena que está há muito tempo sem sair. A ideia de que ele "está devendo" é a falácia do apostador: a chance da próxima extração é sempre a mesma.
- Repetida
- Quando o mesmo número aparece duas vezes seguidas, no mesmo dia ou em extrações vizinhas. Chama atenção, mas é o que a probabilidade prevê acontecer de vez em quando.
- Espelho
- Número formado por dígitos repetidos em espelho, como 2442 ou 7117. Não tem tratamento diferente no sorteio; é só um padrão que o olho gosta.
Seção 5
As fontes
5 termos
- Loteria Federal
- O sorteio público da Caixa, realizado às quartas e aos sábados. Várias bancas usam os cinco prêmios da Federal como base do resultado do bicho nesses dias.
- PT / PTM / PTV / PTN
- Siglas de extrações do Rio: PTM é a da manhã, PT a do meio do dia, PTV a da tarde e PTN a da noite. Cada banca tem o seu conjunto de siglas.
- Look / Lotep / Lotece
- Nomes de bancas regionais — Goiás, Paraíba e Ceará, respectivamente. Cada uma publica horários e boards próprios.
- Resultado não oficial
- A condição de todo resultado de jogo do bicho publicado em qualquer site, inclusive neste. Como o jogo é contravenção penal, não existe órgão que homologue nada.
- Board
- O quadro completo de uma extração, com os sete prêmios lado a lado. É a forma como o resultado circula.
Antes de guardar a página
Duas coisas que o vocabulário esconde
A primeira: termos como milhar viciada, número atrasado e bicho do dia descrevem o que já aconteceu. Eles são úteis para conversar sobre o histórico e não dizem absolutamente nada sobre a próxima extração, que é independente de todas as anteriores. Quando alguém apresenta um desses termos como previsão, o que mudou foi a intenção de quem fala, não a estatística.
A segunda: nenhuma cotação citada por aí é oficial. O jogo do bicho é contravenção penal no Brasil desde a década de 1940, não tem órgão regulador e não tem tabela homologada. Isso significa que multiplicadores, faixas e regras de pagamento variam de banca para banca — e que não existe a quem recorrer se algo der errado. Vale ler nossa página sobre jogo responsável antes de qualquer coisa.
Perguntas frequentes
Dúvidas sobre os termos
O que significa "deu no poste"?
Qual a diferença entre seco e cercado?
O que quer dizer jogar "na cabeça"?
Milhar invertida vale a pena?
Existe uma tabela de cotações oficial?
Um número atrasado tem mais chance de sair?
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As páginas que explicam na prática o que o glossário define.
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